A Guerra Fria foi mais que uma mostra de poderio bélico entre Estados Unidos e União Soviética. Ela atingiu todos os meios possíveis, não só o militar, como o político, o econômico, o social, o cultural e o esportivo.
As duas potências não paravam de fazer propaganda de seus regimes em filmes, assim como também no esporte, onde os jogos olímpicos acabavam permitindo isso.
A URSS iniciou sua participação em jogos olímpicos em 1952, em Helsinque (Finlândia), e já na sua segunda participação, em Melbourne (Austrália), em 1956, desbancou aos estadunidenses, conquistando o maior número de medalhas de ouro. A partir daí, os soviéticos tiveram a hegemonia do esporte internacional até início da década de 1990.
Óbviamente os Estados Unidos nunca aceitaram perder essa hegemonia. Com isso, várias justificativas eram dadas: a não participação de profissionais nas Olimpíadas, não-profissionalização dos atletas soviéticos, e o suposto uso de substâncias anabolizantes.
As duas potências não paravam de fazer propaganda de seus regimes em filmes, assim como também no esporte, onde os jogos olímpicos acabavam permitindo isso.
A URSS iniciou sua participação em jogos olímpicos em 1952, em Helsinque (Finlândia), e já na sua segunda participação, em Melbourne (Austrália), em 1956, desbancou aos estadunidenses, conquistando o maior número de medalhas de ouro. A partir daí, os soviéticos tiveram a hegemonia do esporte internacional até início da década de 1990.
Óbviamente os Estados Unidos nunca aceitaram perder essa hegemonia. Com isso, várias justificativas eram dadas: a não participação de profissionais nas Olimpíadas, não-profissionalização dos atletas soviéticos, e o suposto uso de substâncias anabolizantes.
E o que acontece quando os estadunidenses, em plena Guerra Fria, misturam cinema, esporte e política? A resposta é Rocky IV.
Da sua primeira edição, até a sua quarta, o filme Rocky teve mudanças significativas em relação ao patriotismo. Em Rocky I, Rocky Balboa era um boxeador que conseguiu ultrapssar todos os seus problemas financeiros às suas próprias custas, tornand0-se um dos melhores boxeadores estadunidenses. Já em Rocky IV, Balboa representa os Estados Unidos no boxe contra os "frios e malignos" soviéticos, representado por Ivan Drago.
No filme - feito e passado em 1985 -, Ivan Drago era um ex-boxeador amador soviético, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos, sendo imbatível. O estado soviético vê em Ivan Drago uma figura que pode demonstrar todo o poderio da potência comunista, e o profissionaliza para desafiar ao grande campeão dos peso-pesados, Rocky Balboa. Para isso, os soviéticos dão todos os aparatos tecnológicos para fazer de Drago invencível profissionalmente, nem que para isso sejam injetados nele "substâncias estranhas".
No entanto, antes de lutar contra Rocy Balboa, Ivan Drago luta contra o também estadunidense Apollo Creed, ex-campeão dos peso-pesados, e que havia perdido justamente para Rocky Balboa nas outras edições do filme.
Abaixo segue o vídeo dessa luta:
Na cena acima vemos Ivan Drago massacrando Apollo Creed. E nem só isso, o soviético acaba matando o seu oponente. E pior do que isso, Drago ainda solta uma das frases clássicas do filme: "se ele tiver que morrer, ele vai morrer".
Aí vemos a clara tendência desse filme. De um lado os esportitas "americanos" que lutam com "alma", com "coração"; do outro, um boxeador soviético frio e sem sentimentos, treinado pelo estado para fazer propaganda a um regime autoritário.
Então, Rocky Balboa passa agora a lutar por seu amigo perdido, representando a "América", que foi derrotada "covardemente". Agora Balboa vai lutar por uma questão de honra ao seu país.
Mas há um empecilho para Rocky. Os soviéticos querem que sua luta contra Drago seja na URSS. E é o que acontece.
Rocky decide então treinar na Sibéria.
Segue abaixo então o vídeo da preparação dos dois boxeadores:
Podemos ver então que Ivan Drago é preparado por militares e cientistas soviéticos, tendo toda a tecnologia a sua disposição, além de ser constantemente dopado.
Já Rocky treina na gelada Sibéria, sem nenhum aparato tecnológico. Utiliza dos próprios meios naturais para treinar. Chegando a seu ápice de subir ao topo de uma montanha. Mas só uma dúvida: a Sibéria tem montanha?
Depois do treino chega o dia da luta, e vamos então para o vídeo da entrada dos dois lutadores:
E como tinha que ser, os soviéticos espiando a toda hora Rocky Balboa. E na platéia podemos analisar outra questão, ela é composta quase totalmente por militares, dando esse ar de militarismo aos soviéticos. Não só isso, há também a presença do Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética (referência claríssima a Mikhail Gorbachev), dando um ar estadista e de controle à URSS.
Não bastasse tudo isso, há também o hino soviético, ao mesmo tempo em que uma grande imagem de Drago, acompanhado da foice e do martelo, é estendida, junto às imagens de Marx e Lênin. Como os soviéticos são "maus", o hino dos Estados Unidos não pode ser veiculado.
Abaixo segue a luta. Parte 1:
Parte 2:
Como todo filme estadunidense, o "bonzinho" sempre apanha constantemente do "vilão" no começo. Mas no final, o "bonzinho" sempre consegue dar a voltar por cima. É o caso dessa luta final, onde Rocky Balboa está sendo massacrado por Ivan Drago, mas com o seu decorrer, Rocky começa a lutar de igual para igual, o que deixam alguns funcionários do PCUS irritados, chegando até a interferir na conversa com Drago.
No último round, Rocky Balboa noucateia Ivan Drago e mostra que profissionalmente os "americanos" são os melhores no esporte. Pelo menos assim é o filme.
O filme é descaradamente uma propaganda dos Estados Unidos, pregando o individualismo americano, o esporte estadunidense como melhor, a vida dos Estados Unidos melhor, com liberdade, sem intervenção do estado, como era na União Soviética, que usou de fortemente Ivan Drago para fazer propaganda do regime soviético. O filme deixa bem claro como funcionou a bipolaridade na Guerra Fria, ultrapassando as idéias militares e bélicas, mas chegando também ao âmbito cultural e propagandístico.